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23.2.17

Ao Zeca, que ao fim de 30 anos cá está bem VIVO!



Associação José Afonso

As letras de Zeca

Tributo a Zeca Afonso

Mural Sonoro

Zeca, uma Estética que era uma ética



Letra e voz de Zé Mário Branco
Vieste de menino d'oiro pela mão
Acordar a madrugada
E fez mais, às vezes, uma só canção
Do que muita panfletada


         Grandes janelas soubeste abrir
         Por onde o ar correu sem te pedir
         Que não se cansem de nascer
         As fontes onde vais beber

         Nunca mais te hás-de calar,
         Ó Zeca, para nós
         Canta sempre sem parar
         Que é seiva e flor a tua voz

Vestiste a capa de caloiro coimbrão
Para ultrapassar o fado
E, em cada Natal, teu fruto temporão
Nunca foi ultrapassado


         Na distracção jogas à defesa
         Com o humor disfarças a tristeza
         Cantas a esp'rança e o amor
         Que o povo te ensinou, de cor

         Nunca mais te hás-de calar,
         Ó Zeca, para nós
         Canta sempre sem parar
         Que é seiva e flor a tua voz

Nem tudo o que reluz é oiro, pois então
E bem gostaria o facho
De te ver calado e manso pela mão
Com medalhas no penacho


         Co'a a tua ronha felina e sã
         Vais-lhe atirando as flechas de amanhã
         O olho pisco a acender
         E a garganta a acontecer

         Nunca mais te hás-de calar,
         Ó Zeca, para nós
         Canta sempre sem parar
         Que é seiva e flor a tua voz

Vieste de menino d'oiro pela mão...



Poema de José Mário Branco para Zeca Afonso

10.11.13

Álvaro Cunhal, 100 anos de vida


Portugal seria diferente sem Álvaro Barreirinhas Cunhal? Sem dúvida!
Por que motivo? «recusou ser comum», para usar o título de uma revista que evoca a efeméride.

Quando, em 1992, faz o último discurso como Secretário-Geral do PCP, diz: «Passei uma dúzia de anos na prisão, 11 seguidos e oito completamente isolado numa cela, isto é muito duro mas houve companheiros meus que estiveram mais de 20 anos presos. Fui torturado quase até à morte, mas o certo é que houve alguns mortos na tortura, porque se recusaram a fazer declarações. Estive mais de 10 anos clandestino, mas houve camaradas meus que estiveram mais de 20, mais de 30, a ser perseguidos pela polícia, sem nunca desistir da luta pela liberdade em Portugal.»

José Pacheco Pereira revisita a biografia aqui.

O filme oficial «Vida, pensamento e luta» aqui fica também, tal como o site Álvaro Cunhal - Centenário.

E o documentário da TVI - Álvaro Cunhal 100 anos.

Ficam aqui algumas notas, sugestões de textos, imagens, músicas, no dia centenário do seu nascimento.

Associa-se o 'segundo' Hino do PCP - que sempre me arrepiará - pela força e esperança que integra: música de Luís Cília (1967), voz de Luísa Basto.

- Para ver alguns dos seus desenhos, e um bem diferente:
- Sobre a pintura, o video possível (2013) que conhecemos;

- Um conto infantil, que deu lugar ao filme de animação «O barrigas e os magriços», disponível na Comissão de Comemoração do centenário;

- Para ler, alguns artigos antes do início e durante a 2.ª Guerra Mundial, no jornal O Diabo em 1939: «Um certo tipo de intelectuais» e «Um problema de consciência»; e um outro, já de Janeiro de 1940: «Aviso Prévio»;

- Para ler, diversas entrevistas ao Expresso (de 1974 a 2003) e uma fotogaleria na mesma edição;

- Para ver: a fuga de Peniche (documentário) e a chegada a Lisboa, após 25 de Abril de 1974; e, o célebre debate televisivo... «olhe que não, olhe que não...», realizado a 6 de Novembro de 1975 entre Álvaro Cunhal e Mário Soares;

- Para ver na Biblioteca Nacional, até 31 de Dezembro, a mostra «Álvaro Cunhal (1913-2005): a pena, o pincel, o punho» e no Arquivo Nacional/Torre do Tombo: História de um gordo chinês que estava de barriga para o ar

- Para ler, quando apetecer, o romance mais conhecido - mas há muitos outros - sob pseudónimo Manuel Tiago:
que também deu o filme homónimo. 
Acerca de outro filme, baseado noutra sua novela:

- Catarina Pires, que fala aqui, de «O meu Álvaro Cunhal», dá-nos outra imagem do Homem, entre 1997 e 1999:
- Uma entrevista com a filha Ana Cunhal (2010), na qual se descobre que cozinhava e bem - e a carta à irmã Eugénia (1966), dolorosa;

E aqui fica também o selo comemorativo do centenário de nascimento, dos ainda CTT:

... e um blog a explorar.

«O homem é ele próprio e as suas circunstâncias» dizia Ortega y Gasset. 
Álvaro Cunhal, que dedicou a vida a dar um novo sentido a esta frase, lutando para que todos tivessem circunstâncias que lhes permitissem ser aquilo que quisessem, contrariou-a. Escolheu o caminho mais difícil. O único possível. Nunca se arrependeu. E foi feliz.» in JN

Gostava de o ter conhecido, como a Carlos Paredes e Zeca Afonso. Mas a morte sempre sai à rua... E, contudo, ELES ESTÃO AQUI!