19.10.13

«Lindo ramo,verde escuro», António Pinho Vargas



E diz hoje, APV, no Facebook: «Volto a colocar porque esta letra do cantar alentejano não é uma letra qualquer. Retrata o sofrimento e a tristeza de um povo que em vários períodos da sua história teve de emigrar à força por falta de trabalho ou condições de vida:


"Abalei da minha terra
Olhei para trás chorando,
Adeus terra da minha alma,
 ai tão longe me vais ficando." 

Revela como o povo, na sua infinita e anónima criatividade colectiva, consegue produzir beleza (ou sublime) a partir das suas próprias vivências sofridas.
Nós, Maria João, José Nogueira e eu, procurámos aqui tratar os versos no total respeito pela 'igualdade de dignidades' entre as diversas expressões artísticas do mundo.»

12.10.13

JOSÉ MÁRIO BRANCO, «Resistir é vencer»

«Pra não dizer que não falei das flores», Geraldo Vandré


Geraldo Vandré (1968

Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.